A extinção do profissional de QA

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Para não perder o costume, hoje resolvi falar de um assunto um tanto quanto polêmico.

Há algum tempo tenho a crença cada vez maior que os dias do profissional focado especificamente na garantia da qualidade de software estão contatos. É isso mesmo, se você é um QA e está lendo isso, pense em como evitar ser despedido, pois, seus dias estão contados.

Em dias em que tanto se fala de desenvolvimento de software ágil, eXtreme programming, eliminação de desperdícios, DevOps e tantas outras tendências e evoluções que vem transformando a indústria de software, você ainda acredita que deve haver uma pessoa focada somente em descobrir bugs? Eu sinceramente não.

Quando comecei a trabalhar com desenvolvimento de software, meu primeiro cargo foi o de “tester”, e naquela época eu achava o máximo, ainda mais pois não gostava de programar e havia encontrado um papel dentro do desenvolvimento de software, onde (naquela época) não havia exigência como há hoje por profissionais de QA com experiência em automação de testes. Naquela época, o QA era aceitável fazendo somente a escrita de extensos planos e casos de teste, realizando testes manuais e registrando e gerindo defeitos.

Se passou um tempo e fui “enjoando” de fazer aquele trabalho repetitivo de testes manuais, os quais, as vezes nem mesmo eu podia confiar, quando as entregas eram mais rápidas que o tempo de execução de toda uma bateria de testes manuais de regressão.

Aí passei a estudar e trabalhar com automação de testes, principalmente na camada de UI, fazendo testes funcionais, os quais já me salvavam bastante tempo, mas ainda não era o suficiente. Passado um pouco mais de tempo comecei a estudar com mais afinco diferentes linguagens de programação, tais como Java, VBScript, Python, Ruby e JavaScript, e peguei gosto pela programação.

Já me peguei fazendo perguntas em hangouts com amigos testadores, perguntando-os quantos deles trabalham mais de 50% de seu tempo criando testes automatizados, programando. E pra ficar feia a história, não obtive respostas.

Hoje trabalho em uma empresa onde consigo compartilhar dos mesmos valores e princípios, e a cada desafio cumprido fico mais forte para seguir em frente em busca de um aprendizado infinito para me tornar um melhor profissional.

Acredito que na era e no momento tecnológico em que chegamos, é amadorismo pensar que o desenvolvedor de software não deve prestar atenção à qualidade do código que está entregando, que não deve testá-lo, que não deve se preocupar com a integração com o código de seus colegas e que não deve se preocupar com a cobertura de código testado.

Chegamos em um momento onde devemos parar e rever alguns conceitos, pois ainda haverão àqueles que serão contra estas idéias, mas para àqueles que se identificam ou ao menos não se preocupam tanto com as mudanças, é hora de passarmos de nível, nos desafiarmos no aprendizado do que for necessário para um mundo onde algumas empresas já não contratam mais QAs, mas sim desenvolvedores mais completos, e então nos destacarmos em nossas vidas, tanto pessoais quanto profissionais.

Conclusão? Não queira acabar como os amigos dinossauros, extintos.

familia_dinossauro

E você, acredita que os QAs serão extintos? Leave your comment. =D

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24 comentários em “A extinção do profissional de QA

  1. Perfeito! venho pensando nisto há um bom tempo, com os seguintes pensamentos: em um mundo altamente competitivo, em que se busca a cada dia mais produtividade e qualidade, qual seria o papel do testador manual? será que o trabalho de testador manual, avesso em por a mão no código, é diferencial para o time e empresa?

    parabéns pelo texto, espero que muitos dos colegas de QA leiam e reflitam sobre o futuro de suas profissões.
    abraços!

  2. O exemplo dos dinossauros foi adequado: tudo faz parte do processo de evolução. Sobreviverão os que conseguirem se adaptar à nova realidade. Novas tecnologias surgem a cada dia, e quem estiver disposto a absorver as mudanças terá um futuro brilhante na construção de uma sólida carreira de QA (ou teste, ou tester, ou qualquer nome que você prefira). Ficar parado, sim, é pedir para ser atingido pelo meteoro.

  3. Texto basicão de gente que quer criar polêmica em assunto bobo. Teste manuais vão continuar existindo, pois é princípio básico da automação que haja uma versão minimamente estável ( isso quem fala não sou eu, é qualquer livro que toca no assunto de automação). O que não dá pra ser, é só testador. Temos que ser ANALISTAS de teste, é nisso que acredito, hoje em dia pensar em entregar código sem qualidade é amadorismo e em 2015 nenhuma empresa se sustenta assim. É muita gente concordando sem ter opinião própria…triste….

    1. Evandro,
      O texto com certeza era para gerar polêmica, principalmente pois ainda tem gente que pensa como você.
      Minha idéia aqui é instigar mesmo este tipo de discussão, para ver se quem sabe “ganha” quem apresenta os melhores argumentos.
      Creio que se continuares com este pensamento, daqui a pouco você também será extinto, hehehe. A princípio, o que na sua opinião faz uma analista de testes? Pra mim é só um rótulo bonito, mas se planeja só testes manuais, os analistas de teste também estão com os dias contados.
      Vamos conversar mais a respeito e quem sabe posso lhe ajudar com o básico de automação de testes e aos poucos vamos evoluindo. Topa? Podemos marcar um hangout pra conversar.
      Valeu pelo comentário! =)

      1. Logo também se acabarão os Analistas de negócio, pois todos os programadores devem ter foco no cliente, saber o que eles querem e não só sair programando.
        Logo se acabarão os Líderem de desenvolvimento, pois toda equipe ágil deve ser auto gerenciável.
        Assim diria a barata na época dos dinossauros: Logo se acabará toda a vida na terra e só as baratas sobreviverão!
        Mas como vemos, apesar de algumas espécies terem se extinguido, outras continuam existindo. Répteis como os dinossauros, continuam vivos. E alguns hoje apenas não são chamados dinossauros pelo simples fato de ainda existirem.

        “Toda generalização é perigosa, inclusive esta” – Alexandre Dumas

      2. Eu sou um dos que está sempre buscando conhecimento pra não ficar só no “testa aí”. Mas não acho que a vaga dos testadores especializados em regras irá acabar. Acho sim que não terá mais vaga para profissional medíocres (a não ser em empresas medíocres), mas a tendência é as pessoas se especializarem, ou em regra de negócio ou em automação. O fato do programador focar na qualidade não irá nunca acabar com os profissionais de Testes/Qualidade, assim como o fato de eu cuidar da minha saúde, alimentação, nunca irá acabar com os médicos.

      3. Analista faz análise, esqueça rótulos didáticos. Conheço e trabalho com automação, toda contribuição é bem vinda, afinal de contas quem acha que sabe tudo, parou no tempo e não sabe. Não cabe em um comentário explicitar as funções de um analista de teste, mas adianto que analista de teste é diferente de testador(tester), que por sua vez é diferente de arquiteto de teste, que é diferente de gerente de teste, falei isso porque li alguns comentários equivocados. O meu comentário foi sobre essa necessidade quase desesperada de automatizar, mas esquecem dos princípios básicos do teste. Não tem como automatizar o que não está estável, seria retrabalho. Acredito que todo profissional da área de t.i. deve conhecer um POUCO de tudo (é bom suspeitar de quem sabe tudo de tudo!), o analista de teste de fato deve ter conhecimentos suficientes em programação pra realizar entre outras coisas, sua automatização, mas não tem que programar no sentido de sentar e ficar codificando, pra isso tem o desenvolvedor. Acredito que devemos ter uma EQUIPE multidisciplinar, não PESSOAS. Quem vende essa ideia, está vivendo um sonho ou alguém já foi em um médico que é cardiologista, pediatra, urologista, dermatologista, psiquiatra, tudo ao mesmo tempo?! Eu acho esses post “proféticos” infantis, não constroem de fato informação, vira espaço pra opinião. Se é pra falar de qualidade, que se coloque algo que venha a melhorar, mas não através de opiniões que querem carregar uma verdade. Nenhuma realidade é absoluta, cada empresa trabalha de um jeito e cada uma tem as especificidades dos seus projetos.

      4. Evandro, pelo jeito tem bastante coisa nas quais discordamos.
        Por exemplo, você acha que existiria código instável se houvesse teste automatizado desde o início?
        Você realmente acredita que precisa de tester, analista de teste, arquiteto de teste e gerente de teste?
        Sobre sua separação de testador (ou qual for o rótulo) e desenvolvedor, para mim é coisa do passado.
        Sobre a comparação com os médicos, antes de eles escolherem sua especialidade, passam pela residência, na qual praticam várias especialidades e daí então escolhem para em qual vão seguir, portanto sim, eles sabem um pouco de tudo, mas escolhem o que vai mais de acordo com seus valores. Todo o médico, independente de sua especialidade é um clinico geral.
        Gostaria de marcar um hangout ou algo do gênero contigo para trocarmos umas idéias. Você participaria?

      5. Ainda sobre a questão de pessoas multidisciplinares, seguem alguns exemplos de pessoas famosas:
        Jurgen Appelo is pioneering management for creative organizations. Jurgen calls himself a creative networker. But sometimes he’s a writer, speaker, trainer, entrepreneur, illustrator, manager, blogger, reader, dreamer, leader, freethinker, or… Dutch guy.
        GALILEO GALILEI: ASTRONOMER • PHYSICIST • PHILOSOPHER
        FLORENCE NIGHTINGALE: NURSE • STATISTICIAN • SOCIAL REFORMER
        ALBERT EINSTEIN: PHYSICIST • PHILOSOPHER • WRITER
        GEORGE WASHINGTON CARVER: BOTANIST • EDUCATOR • INVENTOR
        ISAAC NEWTON: PHYSICIST • MATHEMATICIAN
        MARIE CURIE: PHYSICIST • CHEMIST
        ALAN TURING: MATHEMATICIAN • COMPUTER SCIENTIST

  4. Acho bem difícil ser extinto. Muito se fala em desenvolvimento de software ágil, eXtreme programming, eliminação de desperdícios, DevOps e etc., mas se esquecem que são pessoas que fazem tudo isto e que continuam errando, sejam profissionais experientes, ou não, sem contar no código legado de diversas empresas, que não serão migrados da noite para o dia. A minha empresa mesmo tem o seu código com quase 15 anos de vida. A minha equipe de QA encontra uma média de 100 erros por mês, vocês acham mesmo que vai acabar o QA na minha empresa? Eu diria: NUNCA. Outra coisa, já validei desenvolvimentos de profissionais de Portugal, Espanha, Colômbia e recentemente de Ucranianos estabelecidos nos EUA e em todos os casos foram gerados muitos bugs. Ou seja, além de tudo não existe o tal super-profissional.

    1. Aí é que tá. Isto não é o suficiente para mim. Consegui fugir de empresas como essas.
      Concordo com sua colocação exatamente para casos de empresas tradicionais com gigantes sistemas legados, aqueles que sabemos que grande parte do software mal é utilizado.
      Mas para desenvolvimento de novos produtos e projetos ágeis, I’m sure that it will happen.
      Thanks for your contribution.

    1. Hoje na empresa em que estou, sou um pouco do tal “profissional completo”, mas não foi sempre assim. Eu comecei conhecendo mais a área de negócios, e com o tempo fui me aprimorando na parte técnica. De uns meses para cá é que estou tentando me manter mais ativo na comunidade, conhecer o mundo de testes fora da empresa onde trabalho. Na teoria é muito fácil dizer que tem que ser um profissional completo. Talvez seja fácil para quem já tem anos e anos de experiência. Mas e para aqueles que acabaram de entrar no mercado de trabalho? Você vai mesmo querer exigir que eles saibam ser Lider, desenvolvedor, DBA, analista, tester, PO, e mais tantas outras coisas?
      Isso me lembra aquelas vagas de emprego que muitas vezes vejo para programador: “Necessário saber Java, C, C++, C#, Ruby, Pyton, PHP, HTML, CSS, Photoshop, Corel, Gimp, SQLServer, Oracle, MySQL, DB2, …”. O cara tem que saber tudo! Nossa, maravilha se o cara souber tudo isso, mas na prática, é fácil achar alguém assim? É eficiente deixar um cara deste cuidar de tudo na empresa, desde coleta de requisitos, passando pela programação e banco até a parte gráfica?

      1. Quem sou eu pra exigir? Não quero exigir nada de ninguém, meu post foi para instigar e gerar exatamente esse tipo de discussão, evoluir a conversa e conhecer diferentes opiniões a respeito do assunto.
        Sobre na teoria ser fácil e na vida real não ser, concordo plenamente, mas pessoalmente, não gosto muito quando é fácil, pois não me sinto desafiado, portanto, prefiro quando é mais difícil, quando exige que eu me desafie.
        Valeu pelos comentários galera…. acho que está sendo o post mais comentado! =p

    1. Toda área tem essa evolução. TODA! Mas o pessoal de t.i. se acha especial nesse sentido…até hoje não sei o motivo. Se for pra ficar falando de suposições, teorias, profecias, o propósito do espaço seria destoado.

  5. Bem….vindo de alguém leigo no assunto (começando agora na área, e tendo como bases vários blogs), eu lembro de ter lido esse post na minha primeira semana de pesquisa, e ter me assustado um pouco com ele, mas sem muitos argumentos, acabei passando reto por ele e continuei lendo outras matérias de várias fontes…. depois de um tempinho voltei aqui e já percebo de uma forma menos assustadora da que eu tinha entendido anteriormente.
    Me desculpem se de alguma forma eu acabar revoltando alguém, mas como eu disse…sou leigo, e a partir desse ponto de vista que vou comentar.

    Acredito que a “Extinção” não seria o termo mais apropriado para o caso, acredito sim que um analista que não tenha conhecimento sobre códigos acaba sendo muito mais limitado que alguém que tenha conhecimentos em algum nível, mas da mesma forma que em qualquer área onde a pessoa não se desenvolva mais ela acaba ficando limitada em comparação com quem continua estudando ou buscando novos conhecimentos =p
    Mas a vaga de tester é genial como ponto de entrada no mundo da programação, mesmo sem conhecimento sobre os códigos vc vai acabando conhecendo um pouco sobre eles, mesmo que seja indo conversar com um dev, vendo o dia-a-dia da empresa… e esses testes que você vai fazendo vão gerando experiencia, e dessa forma com o tempo teremos um ótimo testes na hora de fazer o planejamento, dar suporte para outros analistas, alguém sim importante na equipe… MAS, se esse mesmo analista somar estudos+programação, ele pode adicionar muito mais para a mesma equipe, vai facilitar se uma hora precisar pensar fora da caixa, vai poder inovar (ou pelo menos tentar), pode aumentar a qualidade/velocidade dos testes …. mas isso não vai tirar a necessidade de testes manuais, mas talvez deixa-los para aqueles menos experientes na área….
    De qualquer forma, uma coisa que eu aprendi sobre testes, e que realmente nunca sai da minha memória sempre que leio sobre qualquer assunto é “DEPENDE”, ou seja…cada um tem suas capacidades que podem ser melhor aproveitadas em situações diferentes=]
    Minha opinião apenas…

  6. Eu sou desenvolvedor e venho notando essa tendência em empresas como UOL e ELO7. O desenvolvedor não apenas desenvolve, mas também tem que garantir a qualidade de código entregue, usando testes unitários, funcionais e de integração muitas vezes.Algumas vezes usando TDD outras não. O ponto é que o time de desenvolvedores (scrum) pensa nos cenários de teste, automatiza-os e hoje esses testes garantem o código novo gerado. Amanhã eles se tornam testes de regressão em possíveis refactorings, garantindo que qualquer alteração não afetará o que já funcionava. Pra mim GPs, líderes de projeto e QAs terão que se adaptar aos novos tempos. Em empresas ágeis, não é necessário nenhuma dessas pessoas, mas o papel dos mesmos é realizado pelo próprio time de desenvolvimento. O time faz o gerenciamento do projeto e também é responsável por entregar software com a máxima qualidade possível.

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